sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sobre as cartas

Há um tempo atrás [pouco] escrevi cartas a todas as pessoas que importavam pra mim [21]. Hoje as achei escondidas dentro da minha mala. As escrevi no meio do surto de gripe A, quando tive crises de tosse e um amigo disse que alguém começou assim e amanheceu, ou melhor, não amanheceu. Como eu falo demais, mas as vezes não digo nada, achei injusto que, caso eu morresse, algumas pessoas não ficassem sabendo das coisas que eu sentia, de verdade. Hoje achei as cartas e passei 3h relendo-as. Sabe o que existe de mais engraçado nisso? Em 3 meses, nada mudou. Hoje eu escreveria a mesma coisa, isso é tão legal, pois confesso que, nos últimos 6 anos passei altos e baixos o tempo todo. Mais trágico é que dentre as cartas eu apenas conseguiria entregar 1 pessoalmente, ou fantasmamente. Me senti uma viúva, daquelas que ainda espera o marido falecido.
Logicamente o marido não voltará. Me sinto viúva duas vezes, sou uma viúva de marido vivo. Porque se, a viuvez é um estado que define que outra não voltará, definitivamente, sou uma viúva de dois maridos.

Acontece que em todo esse contexto existe algo lindo: roupa preta, batom vermelho.

2 comentários:

  1. aiii, tem carta para mim?
    querooo...
    hahaha

    ResponderExcluir
  2. nao sei se foi narrado da realidade ou da imaginação, mas ficou poetico, e lindo.

    ResponderExcluir