segunda-feira, 23 de novembro de 2009

E supostamente acabou.

Quando eu vi dois meses passarem por mim sem nenhuma mudança sentimental real, resolvi acabar de vez com aquela história, mas como seguir em frente? Fiz essa pergunta a um amigo que respondeu: não existe fórmula, um dia sem mais nem menos tu te dá conta que está na frente, que seguiu. Mas como em mais de 60 dias eu não estava a frente ainda? Fiz a mesma pergunta a alguém que estava do outro lado do jogo que impiedosamente respondeu: Desiste, ele não gosta de ti, ele nunca gostou. Confesso que de todos as palavras de consolo essas foram as mais reconfortantes. Senti um alívio imenso, finalemente havia achado a resposta para tudo.
Doeu, obviamente, doeu pensar em todos os abraços e beijos falsos. Mas como seguir em frente com essa frase latejando na cabeça o tempo todo? Talvez o "desiste" que deu início a frase e que se repetiu na minha cabeça por dois dias seguidos tenha me convencido. Desisti de lutar, desisti de esperar.
Enquanto há um fio de esperança a ser alimentado, a gente o alimenta com todas as forças porque é muito mais confortável viver um uma situação ilusória, em um mundo paralelo do que aceitar as verdades doloridas e o mundo real. O problema é que o preço de viver nesse universo paralelo é muito alto, a gente simplesmente deixa o tempo real passar ao lado e junto com isso pessoas que poderiam ter sido importantes. E a gente deixa de viver coisas e deixa de fazer coisas para sustentar uma mentira que nem foi contada pela gente. Cria fantasias maiores, tudo para sustentar aquele cantinho confortável e protegido, mas falso.
Eu desisti. Ñão foi fácil, mas foi simples. Tudo começa a partir de uma decisão. A decisão de fazer alguma coisa. A estratégia. A metodologia [que em grego significa caminho para se chegar a um fim]. Tu reluta, mas desiste daquilo, aceita a verdade bruta.
Quando a gente passa por uma grande mudança nossos níveis de vibração se agitam bastante. Se a mudança é boa a tendência é que a gente vibre mais alto, o que faz com que a gente atraia pessoas que vibram alto também, é uma espécie de lei de atração. E atrai coisas boas também e fica disposto e as coisas começam a dar certo, não porque a gente ficou sortudo mas sim porque quanto mais nos esforçamos mais sorte temos. E o gosto da água fica bom e tu começa a te sentir bem na própria pele novamente, e começa a te achar bonito de novo e começa a, de fato, acreditar que quem deixou que tu acreditasse que era um lixo era um idiota mesmo, que se chamar de idiota talvez tenha sido uma das poucas verdades contadas.
E banho de chuva fica diverdito, teu cabelo fica bonito, teu cheiro fica bom de novo e tu até começa a esboçar mais de um sorriso espontaneo por dia [isso está bem ligado as pessoas que tu conheceu que vibram super alto].
Tu desiste porque é tomado por uma dor dilacerante e por uma dose de racionalidade que é comum aparecer depois da tal "dor dilacerante". E, tu pode ter sido patética, ter parecido estúpida e imbecil apaixonada, mas tu nunca foi burra, e essa dose de racionalidade aliada com a tua inteligência estratégica te leva a desistir. Poruque é burrice insistir em alguma coisa que nunca vai te agragar nada, pelo contrário, que diariamente tira a tua dignidade te fazendo pular na frente do computador a cada barulhinho do msn, a cada aviso de email novo, a cada tweet, mas nenhum pra ti. Ai tu monta a estratégia, traça um plano, uma metodologia, uma meta! E tá feito. 98% da realização de um projeto é o projeto em si. Depois de tudo traçado e definido parece que ele cria pernas, asas.
E as coisas acontecem.
E tu conhece alguém e te deixa levar pelo momento e te dá conta que, pela primeira vez em 120 dias, tu te deixou levar por alguém diferente.
E no meio de uma viagem tu olha o horizonte, com o sol caindo, o céu laranja, o vento no rosto e coincidentemente aquela música tocando e minutos depois vem o estalo: "plim" não é mais a mesma pessoa que protagoniza momentos como aquele, e momentos como qualquer um dos últimos que tinhas passado, não é nenhuma pessoa que protagozina aquilo além de ti. Tu vive sozinha aquilo tudo, tu fica feliz em viver contigo mesmo e tu te sente novamente a vontade com a própria companhia.
As duas respostas que recebi traduzem o seguir em frente: primeiro tu aceita a verdade e sem te dar conta tu tá em frente, apesar de ainda olhar pra trás.

Não sei se isso é o final do amor, é cedo pra responder, talvez seja o final de longos e cansativos dias de tristeza. O encerramente de uma fase estúpida. O final de um ciclo válido. Ou ainda, o início de uma espiral imaginária que voltou a apontar pra cima.
Admito que "verbo amar" [é cedo ainda pra usar tempos verbais tão definidos]. No fim de tudo foi válido porque me agregou valor em algumas áreas, me apodreceu um pouco em outras, mas houve uma mudança, e mudanças são sempre positivas, não importa se te esquente ou te esfrie, ao menos tu deixaste de ser morno.

Sim, eu teria esperado, assim como a música do Surto, talvez não pro resto da vida, porque isso seria muito tempo e iria contra minha capacidade intelectual. Mas a manutenção do meu amor era tão barata, tanto que ele se manteve apenas sendo alimentado por mentiras, muitas que eu mesma me contava. Mas ele teria se mantido caso tivesse sido alimentado.

Vou terminar de uma forma tão piegas:

"Segue o barco"

Nenhum comentário:

Postar um comentário