quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tenho sentido coisas estranhas andando pelas ruas de Porto Alegre
Uma saudade nostálgica das coisas que vejo
Sempre soube que não pertencia a lugar nenhum
Nunca menosprezei minha condição de asas e por isso
Nem ao menos tentei andar pois seria desperdício
Acontece que sinto que a cidade se despede de mim
Antes mesmo de eu saber a data exata da partida
e se realmente acontecerá...
Ainda não conheço todo o globo terrestre,
nem o dimensiono, porém
me julgo capaz de escolher o melhor lugar do mundo
Escolhi, o melhor lugar do mundo é dinâmico
Mas impossível não convencioná-lo a essa cidade
Áquela rua larga, ensolarada que assume os tons
de noites de volupia e de manhãs preguiçosas
O melhor lugar do mundo abriga outras pessoas agora
Abriga pessoas em braços que já foram meus
Gente que nem ao menos o percebe
E mesmo estando bem próxima a esse local
Com a dor mais doce que já senti
Apenas digo que
Este pra sempre será o melhor lugar do mundo
Mas já não abre seus braços pra mim
Me assumo na condição desabrigada
Sozinha e com as malas cheias de emoções
não despertadas, caixas lacradas, sentimentos não
aproveitados, dor e...
Asas abertas, asas essas que pela primeira vez
desejaram ser cortadas.

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